Lula ou Flávio?

O caso Banco Master, lado a lado

Os lados desta página mudam de posição a cada visita. Todas as pessoas citadas negam irregularidade. Cada informação tem a fonte no final do card.

Sobre esta comparação

Os lados desta página mudam de posição a cada visita. Todas as pessoas citadas negam irregularidade. Cada informação tem a fonte no final do card.

Lula

Presidente, candidato à reeleição

Não está sendo investigado

Flávio Bolsonaro

Senador, candidato à Presidência

Sendo investigado pela Polícia Federal

Pergunta 1 de 7

Qual é a ligação de cada candidato?

Lula e o campo do governo

Lula

Não está sendo investigado

Recebeu Vorcaro no Planalto em dezembro de 2024, fora da agenda oficial.

Flávio e o campo bolsonarista

Flávio Bolsonaro

Sendo investigado pela Polícia Federal

Pediu R$ 134 milhões a Vorcaro para o filme sobre o pai. Cerca de R$ 64 milhões foram pagos.

Os cards estão reunidos por assunto. A posição lado a lado não indica equivalência entre os casos.

Lula

Presidente da República, candidato à reeleição

Não está sendo investigado

Recebeu o dono do Banco Master no Palácio do Planalto em dezembro de 2024, numa reunião que não entrou na agenda oficial.

Jaques Wagner

Senador pelo PT da Bahia. Era o líder do governo Lula no Senado

Sendo investigado pela Polícia Federal

A Polícia Federal diz que ele recebeu voos de jatinho, ingressos de show e ajuda para comprar um apartamento de pessoas ligadas ao Banco Master. Ele perdeu o cargo de líder do governo.

Guido Mantega

Ex-ministro da Fazenda nos governos Lula e Dilma

Fato documentado

Foi contratado pelo Banco Master por cerca de R$ 1 milhão por mês. Foi ele quem marcou a reunião de Lula com o dono do banco.

Palácio do Planalto

Presidência da República

Fato documentado

A Presidência respondeu por escrito que não guardou nenhum registro dessas reuniões.

Flávio Bolsonaro

Senador pelo PL do Rio de Janeiro, candidato à Presidência

Sendo investigado pela Polícia Federal

Pediu ao dono do Banco Master R$ 134 milhões para bancar um filme sobre o pai dele. Cerca de R$ 64 milhões chegaram a ser pagos.

O preço do filme

"Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro

Fato documentado

O filme foi orçado em R$ 134 milhões. Nenhum filme brasileiro na história passou de R$ 48 milhões, já contando a inflação.

Valores corrigidos pela inflação (IPCA) até agosto de 2026
  • Dark Horse (2026)R$ 134 milhões
  • Ainda Estou Aqui (2024)R$ 48 milhões
  • Nosso Lar (2010)R$ 48 milhões
  • Lula, o Filho do Brasil (2009)R$ 43 milhões
  • Cidade de Deus (2002)R$ 31 milhões
  • Tropa de Elite 2 (2010)R$ 30 milhões
  • O Agente Secreto (2025)R$ 29 milhões

Eduardo Bolsonaro

Ex-deputado federal pelo PL de São Paulo. Mora nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025

Sendo investigado pela Polícia Federal

O dinheiro do filme foi para um fundo no Texas administrado pelo advogado de Eduardo. Esse fundo estava parado havia quase quatro anos.

Ciro Nogueira

Senador pelo PP do Piauí. Foi ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro

Sendo investigado pela Polícia Federal

É investigado por suspeita de receber uma mesada do Banco Master para defender os interesses do banco no Congresso.

Cláudio Castro

Foi governador do Rio de Janeiro pelo PL

Alvo de operação da Polícia Federal

No governo dele, o estado do Rio colocou quase R$ 4 bilhões no Banco Master. A maior parte era dinheiro da aposentadoria dos servidores.

Fabiano Zettel

Empresário e pastor. É cunhado de Daniel Vorcaro

Sendo investigado pela Polícia Federal

Foi o maior doador pessoa física da campanha de Jair Bolsonaro em 2022: R$ 3 milhões.

O dinheiro público estava dos dois lados

De um lado, R$ 4,49 bilhões de aposentadorias de funcionários públicos de estados e prefeituras estavam aplicados no banco. Quem é pessoa física tem um seguro que devolve até R$ 250 mil se o banco quebra. Esses fundos de aposentadoria não tinham seguro nenhum.

Do outro lado, o banco dizia ter bilhões a receber de processos contra o governo. O TCU e a CGU, que fiscalizam as contas públicas, acham que esses papéis valiam bem menos do que o Master afirmava — e que parte deles talvez nem existisse.

Como esse banco chegou até aqui

O Banco Master não nasceu do nada. Ele era o Banco Máxima, que existia desde 1970. O que mudou foi quem passou a mandar nele — e isso precisou de autorização do Banco Central.

  1. Entre 2017 e 2019Governos Temer (2017–2018) e Bolsonaro (2019)

    Daniel Vorcaro pede ao Banco Central autorização para assumir o controle do Banco Máxima. Ele já era dono de pelo menos 15% do banco.

  2. Começo de 2019Governo Bolsonaro

    O Banco Central nega. O voto diz que boa parte do dinheiro que Vorcaro usaria para comprar as ações tinha saído do próprio Banco Máxima, passando por empresas dele e por fundos de investimento. O presidente do Banco Central era Ilan Goldfajn.

  3. 14 de outubro de 2019Governo Bolsonaro

    O Banco Central aprova, oito meses depois. O novo voto aponta R$ 100 milhões de aportes feitos entre março e junho daquele ano e conclui que a origem do dinheiro ficou demonstrada. O presidente do Banco Central era Roberto Campos Neto.

  4. Depois de 2019Período que atravessa os governos Bolsonaro e Lula

    O banco é rebatizado Banco Master e cresce rápido, vendendo aplicações com juros altos a pessoas físicas por plataformas de investimento.

  5. Dezembro de 2024Governo Lula

    O Banco Central chama Vorcaro para uma reunião de emergência e cobra reforço de capital. O banco já tinha problemas de caixa.

Como ele caiu e até onde a investigação chegou

Escândalo não aparece sozinho. Ele aparece quando alguém investiga. Um governo que deixa a Polícia Federal trabalhar produz mais notícia ruim sobre si mesmo do que um governo que não deixa. Achar que isso significa "esse governo é mais corrupto" é confundir o barulho do alarme com o tamanho do incêndio.

Veja a ordem em que as coisas aconteceram:

  1. Setembro de 2025

    O Banco Central proibiu a venda do Banco Master ao BRB

  2. Novembro de 2025

    O Banco Central fechou o banco. O presidente era Gabriel Galípolo

  3. Novembro de 2025

    A Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro no aeroporto, embarcando para Dubai

  4. Janeiro de 2026

    O Supremo mandou bloquear mais de R$ 5,7 bilhões em bens

  5. Março de 2026

    Vorcaro foi preso de novo, desta vez sem prazo para sair

  6. Maio de 2026

    A investigação chegou a Cláudio Castro (PL) e Ciro Nogueira (PP)

  7. Julho de 2026

    Um ministro do Supremo autorizou investigar Flávio Bolsonaro (PL)

  8. Setembro de 2026

    O Supremo tirou o sigilo de 15 investigações do caso

  9. Setembro de 2026

    A investigação chegou ao líder do governo Lula no Senado, que perdeu o cargo

A última linha é o ponto. Uma investigação que chega ao próprio líder do governo no Senado, e que faz ele perder o cargo, não está sendo comandada por ninguém de cima.

O caso não para nos dois candidatos

Dias Toffoliministro do Supremo. Era o responsável pelo caso e teve que sair depois que a Polícia Federal apontou indícios de ligação dele com Vorcaro e de um resort no Paraná do qual foi sócio ter sido comprado por um fundo ligado ao banqueiro. Nega irregularidade.

Alexandre de Moraesministro do Supremo. Documentos da Polícia Federal apontam contratos de cerca de R$ 134 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa dele. Nega irregularidade.

Nunes Marquesministro do Supremo e presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Negou ter relação com Vorcaro, mas se declarou impedido de julgar o caso.

BRB, o banco público do Distrito Federala investigação começou por causa da tentativa de venda do Master a ele. A Polícia Federal aponta prejuízo de cerca de R$ 17 bilhões nas operações entre os dois bancos. O BRB é do governo do Distrito Federal, de Ibaneis Rocha, do MDB.

Daniel Vorcarodono do Banco Master. Está preso desde março de 2026, acusado de organização criminosa, fraude na gestão do banco, lavagem de dinheiro e corrupção.

Os dois lados têm aliados sendo investigados neste caso.

Um dos dois candidatos à Presidência está sendo investigado pela Polícia Federal, com autorização do Supremo. O outro não está.

O caso também chegou a ministros do Supremo, a um banco público e à aposentadoria de funcionários públicos de 18 estados e prefeituras.

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